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Número sete

por Paulo Pinto, em 31.03.14

O sétimo Quinta Essência, na Antena 2, à conversa com João Almeida. Rota do Cabo, vida a bordo das naus, Cochinchina, chegada dos portugueses a Timor, a mulher nos Descobrimentos, os portugueses no Tibete e as viagens chinesas do século XV são os temas, com uns quantos engasganços à mistura. Passou ontem, repete sábado. A transmissão será agora suspensa durante várias semanas, para dar lugar a emissões dedicadas aos 40 anos do 25 de Abril. As três conversas que restam serão emitidas oportunamente.

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publicado às 17:38

Sandokan e MH370

por Paulo Pinto, em 29.03.14

Para os portugueses, "Malásia" significa essencialmente duas coisas: Sandokan e o mistério do vôo MH370 da Malaysian Airlines. O primeiro pouco diz a quem tem menos de 40 anos, mas qualquer cota encartado recordar-se-á dos olhos verdes do Kabir Bedi, da loiríssima Mariana, filha do vilão Lord Brooke, e de um patusco português que por lá andava, companheiro de lides do herói e que ostentava o irritante nome de Yanez Gomera. O facto de ser homónimo do então recém-eleito presidente da República era motivo de chalaça frequente, por entre o entusiasmo de mais um episódio e a troca de cromos para a caderneta, porque a descontração de um contrastava claramente com a fleuma do outro. Não falo do Sandokan no livro, mas teria sido um bom pretexto para introduzir as especificidades mais ou menos bizarras da presença portuguesa na região e abordar o contexto histórico em que Emilio Salgari se baseou - e distorceu - para escrever os seus romances.

Quem tenha acompanhado o desenrolar do novelo diário que envolve o desaparecimento do MH370 poderá ter reparado num pormenor: Fala-se em "Malásia", "Malaysian Airlines", mas depois mencionam-se as "autoridades malaias", os "passageiros malaios". Malásia e malaios? Porque não Malaia e malásios? ou tudo igual, de uma forma ou de outra? Na verdade, "Malásia" e "malaios" designam, em rigor, coisas diferentes (existe, em português, a palavra "malásio" - i.e., hab. da Malásia, ref. à Malásia - , mas não é usada).

Malásia (Malaysia) é um neologismo. Em português nem faz muito sentido, porque deveria ser "Maláisia" O termo (Malaysia, Malaisie) foi criado no século XIX por geógrafos europeus para designar um determinado contexto histórico-geográfico (como Melanésia, Indonésia, e outros que não vingaram) e só foi adotado em 1963 pela nova nação, que até então se chamara... Federação Malaia. De onde vem a diferença? É que "malaia" é a península, e a partir do momento em que a recém-independente federação de estados malaios incorporou Sabah, Sarawak (na ilha de Bornéu) e Singapura (expulsa pouco depois), passou a chamar-se "Malásia", com um significado, portanto, essencialmente político.

"Malaia" é, simultaneamente, algo de mais restrito e mais abrangente; restrito, porque designa, do ponto de vista geográfico, apenas a península com esse nome; abrangente porque remete para um largo horizonte cultural e civilizacional que extravasa tanto a península como a própria Malásia. Pode-se dizer que parte das gentes de Lingga, Bornéu, Samatra, Java (Indonésia), ou Singapura, são "malaios", porque partilham entre si um conjunto de traços: um determinado estrato de população austronésia, de hábitos mercantis e marítimos, que falam uma língua comum, partilham uma cultura material e possuem o Islão como traço de união. Sandokan é um herói malaio, mas vive em Sarawak, na ilha de Bornéu, e não na Península Malaia. Qual a sua origem? Bom. Pelos cânones "malásios", foi Malaca, um importante sultanato que floresceu no século XV e que foi o principal difusor da "cultura malaia" por todo o Arquipélago, até ser tomado pelos portugueses em 1511. Porém, as suas raízes remontam ao reino "medieval" de Srivijaya, cuja sede se situava em Palembang, em Samatra. Na atual Indonésia, portanto. Ora, a Indonésia é a herdeira das Índias Orientais Neerlandesas, e a Malásia, das possessões coloniais britânicas, que inicialmente se chamaram de Straits Settlements e que posteriormente tomaram a forma de um protetorado sobre os diversos reinos da Península Malaia. Há portanto, um passado colonial que ditou as linhas do quadro político presente. "Malásia" e "Indonésia" designam essencialmente entidades político-administrativas que cruzam, agregam, sobrepõem e separam diferentes realidades culturais e históricas do "mundo malaio-indonésio", termo de uso corrente na atualidade, que evita ferir suscetibilidades nacionalistas de ambos os lados da fronteira.

Adenda: para quem tiver curiosidade para questões idênticas - no caso, a explicação para Birmânia/Burma/Myanmar, recomendo o artigo de Luís Filipe Thomaz que saiu na Brotéria de fevereiro ("A Birmânia mudou de nome?").

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publicado às 00:27

sexta emissão

por Paulo Pinto, em 24.03.14

Mais um Quinta Essência, na Antena 2, à conversa do João Almeida. Os planos de Afonso de Albuquerque, o messianismo do rei D. Manuel e o pragmatismo do seu sucessor, Marrocos, D. Sebastião e Alcácer-Quibir. O descobrimento pré-colombino da América, para terminar, com desvios e conversas paralelas pelo meio. Umas quantas calinadas também. Passou ontem, repete sábado. Hoje gravei o 10º e último.

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publicado às 18:11

a meio da jornada

por Paulo Pinto, em 17.03.14

5º Quinta Essência na Antena 2, à conversa com João Almeida. Igreja e escravatura, mapa de Piri Reis, os Filipes e o império português, projetos de conquista da Ásia, a "modernidade" holandesa vs. a "medievalidade" portuguesa, D. João II e o "rei merceeiro" D. Manuel são os temas, a partir do livro. Passou ontem.

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publicado às 17:58

o quarto da quinta

por Paulo Pinto, em 10.03.14

Menu: Camões em Macau, Colombo português e Pedra de Dighton. E a de Yelala, para rematar. Mais uma conversa com o João Almeida na Quinta Essência da Antena 2. Passou ontem, repete sábado.

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publicado às 16:58

mais uma quinta

por Paulo Pinto, em 03.03.14

Brasil, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Magalhães, e desvios e cerejas, muitas, na terceira conversa com o João Almeida, que passou ontem. Até do Cristiano Ronaldo se falou. E uma maldita impressão na garganta. Credo.

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publicado às 14:14

Peter Trick(y)ett, cap. I

por Paulo Pinto, em 03.03.14

Apanhado à má-fila por um ameaço de gripe (daqueles empatas que nem se declaram sem desopilam), dediquei várias horas deste domingo a ler, com grande interesse, o livro de Peter Trickett Para Além de Capricórnio, sim, esse mesmo, o tal dos portugueses a descobrir a Austrália. E sim, confesso que nunca o tinha lido com a atenção que merece. Ah! não, não fiquei convencido das suas teses, pelo contrário. Cada vez mais pelo contrário. O que até ao momento era apenas uma tese com pés de barro - embora com fama mundial - passa a ser, à medida que me embrenho na leitura, uma sucessão de disparates, ignorâncias, deduções infantis e muitos, muitos arames, fita cola, cuspo e marretada em barda. Estou simultaneamente divertido e assustado: como é possível tal coisa ser tomada, considerada, divulgada e, em muitos casos, ardentemente defendida como tese credível? Não estou a falar à hipótese (aliás, muito provável) de que portugueses tenham visitado o continente australiano no século XVI; falo, sim, da tese do livro, da viagem de Cristóvão de Mendonça e de mais uns quantos aspetos. Vou continuar a ler. Espero que tenha sido apenas um mau começo. Mas para aperitivo, fica já esta pérola, a explicação do que era um alcaide [do árabe al-qadi, "o chefe", ou seja, o comandante militar e responsável pela fortaleza de uma cidade ou vila]:

 

"O termo «alcaide» trai as suas origens mouras: embora a palavra portuguesa seja escrita no alfabeto romano, é pronunciada exatamente da mesma maneira que o árabe al-Qa'ida, tornado infame no século XXI por Osama bin Laden. O melhor equivalente talvez seja «a Organização», neste caso a Organização dos Nobres do Rei, a quem foi confiada a defesa do Reino." (p. 81 da ed. portuguesa).

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publicado às 01:44



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